A propósito da preservação dos espaços sagrados da anterior mensagem sinto a obrigação de relembrar a Guiné-bissau e a sua riqueza infinda em cerimoniais e rituais sagrados.
Tive o privilégio de trabalhar na ilha de Orango, arquipélago dos Bijagós, durante um ano, não estive a trabalhar em preservação ou estudo de património histórico ou cultural, não pude, no entanto, deixar de notar a imensa fertilidade desta etnia nas suas diversas manifestações do sagrado… hoje, quatro anos volvidos, ainda me lembro, e com muita insistência, de todos os detalhes que tive a fortuna de puder ver, e constato, com o pragmatismo dos nossos dias, que estes cerimoniais desaparecerão na próxima geração, ou então manter-se-ão como algo «pastiche» para deleite de turistas…

Escultura em madeira de um Iran (divindade animista, neste caso, protectora da praia da Ilha de Orango) está colocada no interior do Manráz (local sagrado votivo à divindade que alberga)

Homem-Grande a presidir uma cerimónia de agradecimento ao Iran, apetrechado com as alfaias religiosas necessárias ao ritual, das quais se destaca a aguardente de cana