segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Crónicas_5 | The second artist in residence Otawara | 2019

Já entramos na última semana da residência artística no Institute of Art and Cultural Studies em Otawara, Japão. O ciclone anunciado ainda não chegou. No entanto, desde que estamos em Ohtawara, (26 de julho), já sentimos, se bem que com suavidade, a terra a tremer. Os trabalhos artísticos prosseguem, portanto. Mas, os tremeliques telúricos tiveram as suas réplicas nos ânimos dos artistas da galeria História e Arte. As dinâmicas tectónicas, acrescidas pelas altas temperaturas, a intensa humidade e a limitação temporal para a conclusão dos trabalhos geraram alguma angústia nos artistas portugueses selecionados pela galeria História e Arte. A conjuntura meteorológica, veio assim reforçar a previsível inquietação que o término dos trabalhos artísticos lhes impõe. Também neste âmbito a residência artística em Otawara está a ser pródiga. Como observadora das diversas práticas em curso não posso deixar de registar como interferem as circunstancias culturais na disposição dos diversos artistas. Há um certo dramatismo, aplicado com diferentes medidas de intensidade, transversal a todos os artistas de Portugal. Como é evidente também, que existe um permanente bom ânimo nos artistas vindos do Brasil e uma inegável atitude diligente nos artistas japoneses. Os três grupos das três diferentes nacionalidades complementam-se lindamente, e é bom notar como até se equilibram. Penso que também neste equilíbrio está subjacente a mestria da Lika Kato e a sabedoria de Kodai Hihara ao promoverem este encontro.
Também nos comove a resistente prática artística que Kodai Hihara aqui leva a cabo. Otawara, tal como Bragança, e tal como todo o interior rural do nosso país, sofre de males idênticos. A desertificação populacional, o envelhecimento da população que resiste, a falta de trabalho apetecível para os jovens, também tudo aqui se conjurou. É bom constatar que as réplicas contra o avassalador movimento de concentração urbana se sentem um pouco por todo o nosso planeta!  
Atelier de modelagem
 Atelier de escultura
 Atelier de escultura
 Atelier de pintura
 Atelier de gravura

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Crónicas_4 | The second artist in residence Otawara | 2019

A quarta crónica desta residência é dedicada aos artistas japoneses que nos recebem em Otawara. A deferência que me merecem atrasa a escritura deste relato pois temo não ser suficientemente agradecida nas palavras que lhes dedico. A cultura a que nos permitem aceder ultrapassa largamente os lugares comuns que trazía no meu imaginário. Definitivamente, creio, que deveríamos (nós, Homo sapiens) começar a nossa educação aqui, rodeados pela cultura nipónica. Há algo nesta refinada delicadeza e no polimento das relações sociais que me parece propiciador ao bom entendimento entre todos e que mereceria ser reproduzido além-fronteiras.
Kodai Hihara é simultaneamente o mentor do projeto da residência artística e escultor. Eu, como todos os outros “residentes”, declaro o respeito, a admiração, e um imenso agradecimento para Kodai San.
O atelier do Kodai é um intenso espaço de criação, cheio de esculturas em curso, máquinas e ferramentas. Fora deste “santuário” destaca-se a possante escultura de um porco que nos recebe à entrada do Institute of Art and Cultural Studies. De madeira e metais, a alimária perscruta o visitante com uma expressão divertida nos olhos, contrariando a imponente e máscula volumetria do corpo.
A Tamami (Ichimura) modela o barro e mistura-o com a madeira que esculpe. Desde que chegamos já pudemos acompanhar a sua pratica pedagógica aplicada a um diligente aluno que em pouco tempo lavrou o seu autorretrato. Na sua mesa de trabalho acumulam-se utensílios de cerâmica, detalhes de bichos diversos e as obras em curso, uma ave dodô e uma cabeça de chacal. Também moldadas pelas mãos de Tamami convivem no amplo espaço central do Institute diversos animais: um par de focas, ternos e roliços exemplares que placidamente parecem aqui ter encalhado; um quadrúpede e um porco selvagem.
A Mio (Warashina) é pintora, mas também gravadora e com formação em artes do metal. Conhecedora de técnicas distintas de produção de imagens, foi solícita a partilhá-las com os brasileiros e portugueses no atelier de gravura que agora ocupam. Mas, neste momento é na pintura de misteriosas silhuetas que percebemos a dedicação da sua prática artística. As formas biomórficas que pinta formam figuras que parecem contidas em veios de madeira. Diligente, dona de uma doçura comovedora, e como todos os companheiros japoneses, a Mio é disponível e atenta na boa integração dos colegas luso-brasileiros.
Desde que iniciamos a residência que o Tetsuya (Tokuda) já terminou uma escultura. Fomos assistir à inauguração de uma exposição coletiva onde a expõe, (junto a obras de Kodai e Tamami) e, desde então, iniciou novo trabalho escultórico. Em madeira, com detalhes em metal, e em cerâmica, é à figuração feminina que dedica a maioria dos trabalhos. As obras escultóricas de Tetsuya que pudemos contemplar são delicados tratados de anatomia feminina. A preferência pelas linhas suaves de rostos de frágil e pueril compleição definem um feminino feérico, patinado em tons claros.  
O Kizuku (Takahashi) é estudante de escultura na universidade de Fukushima. A mestria com que desbastou o tronco de Ginko Biloba denota a´sua continuada e dedicada prática manual. Traz, da loja da universidade, o seu estojo com as goivas e os formões bem afiados. Mostra no atual trabalho a preferência pela figuração de animais, aspeto recorrente na prática contemporânea dos artistas que circularam pelo Institute of Art and Cultural Studies. Trabalha a madeira de Ginko, e não o Kusonoki, madeira mais suave que normalmente trabalha, mesmo assim, a águia japonesa que esculpe já quase voa.
Kodai Hihara no seu atelier 
Tamami Ichimura a ensinar modelagem
Mio Warashina no seu atelier
Tetsuya Tokuda (fotografia cortesia de Luiz Carvalho)
Kizuku Takahashi

sábado, 3 de agosto de 2019

Crónicas_3 | The second artist in residence Otawara | 2019

A terceira crónica da viagem ao Japão é dedicada aos artistas brasileiros com quem partilhamos a residência em Otawara. Tal como no registo dos artistas de Portugal também para os artistas do Brasil a metodologia usada privilegia a ordem estabelecida no programa de divulgação da residência no Institute of Art and Cultural Studies de Otawara. O imenso país da lusofonia americana é um prenuncio da imensa variedade artística que o grupo de cinco artistas espelha.
Abigail Nunes
Davi Baltar
Deneir Martins
Julio Castro
Luiz Carlos
A Abigail (Nunes) dedica a residência artística à gravura, também poderia dedica-la à pintura ou ao desenho em que academicamente se formou. A dualidade da sua identidade franco\brasileira é percetível em quase cada detalhe das informações que lhe vou pedindo. A influência que traz na gravura deriva do Julio (Castro), o mestre gravador com quem agora partilha atelier, mas o linóleo que usou para a primeira obra veio de Paris. As goivas com que risca são japonesas que além de mais ergonómicas, são também de aço mais fino e, portanto, mais precisas e hábeis para um trabalho melhor executado.
O Davi (Baltar) articula a street art com a pintura sobre tela. As medidas das telas que requisitou (150x150 cm) reproduzem a forma quadrangular que as imagens ’instagram’ impõem. O sentido critico, explicito e implícito na pintura do Davi começa logo aí, na forma da tela. Perante a boa qualidade dos materiais disponibilizados pelo Institute of Art and Cultural Studies de Ohtawara é a deferência do executante aplicado que responde com a diligência do trabalho bem feito. O olhar atento e acutilante sobre o quotidiano brasileiro anuncia uma realidade já denunciada nos desenhos preliminares.
O Deneir (Martins) atualmente expõe no Museu de Belas Artes no Rio de Janeiro. Com forte sentido pedagógico na militância do uso da arte para a educação reutiliza materiais gerados pelo consumismo sôfrego dos nossos dias. Nesta comprometida reciclagem é com lúdica ligeireza que mistura as sementes trazidas do Brasil, como as “lágrimas de Nossa Senhora”, com os grãos de arroz local e os pauzinhos com que todos, a diário, comemos as iguarias japonesas. Os suportes das criações do Deneir são em madeira de Bambú, requisitada localmente, é mais rija e possante que o Bambu do Brasil.
O mestre da impressão é o Julio Castro. Comanda a prensa de gravura no atelier que partilha com a Abigail Nunes e com a Paola Afonso. Com esmerado zelo começou por trabalhar a matriz da gravura em laminado de madeira que trouxe do Brasil. Os trabalhos de impressão sublimam os volumes, quase escultóricos, e denotam a competência técnica no domínio das ferramentas e dos materiais. Experimentado executante, o Julio brinca com as metodologias de trabalho de gravura com a segurança do conhecimento adquirido. De produção japonesa, o papel de arroz e o linóleo, são já parte deste processo.
O Luiz Carlos sabe artes marciais. Nas obras assina o nome com o que parecem caracteres japoneses. Pinta com o gesto, tal como fazem os calígrafos nipónicos e usa pinceis de bambu. O prenuncio asiático é tão forte que quase parece propositado. Ao abrir os cadernos de artistas e o papel dobrado em concertina percebemos como as manchas de tinta da China e em tinta acrílica denunciam o sentido inconformista do Luiz. As réguas e as espátulas trazidas do Brasil espalham em manchas dinâmicas o sentido desenganado e crítico de forte ativismo politico.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Crónicas_2 | The second artist in residence Otawara | 2019

O registo dos processos criativos dos diversos artistas segue a ordem estabelecida no programa de divulgação da residência no Institute of Art and Cultural Studies de Otawara
O Tó (António Pires) regista o espaço com a câmara fotográfica. O espaço construído e o espaço natural que nos envolve e também os intervenientes e as suas circunstancias. Discreto, de presença quase impercetível, dirige a câmara fotográfica como se dirige um olhar admirado. No país das tecnologias a câmara fotográfica sente-se em casa e a captação de imagens flui naturalmente no gesto do Tó. Começa os percursos fotográficos de manhã cedo para esquivar a luz e o calor sufocante do meio dia e usa as primeiras horas da tarde para registar as imagens de interior dos ateliês e dos artistas.
A madeira de Ginko biloba (Nogueira do Japão) foi o material eleito para a escultura do Janjã (João Ferreira). O estatuto de madeira fóssil, a resistir no nosso planeta desde a época dos dinossauros, imprime solenidade ao agradável aroma que se desprende no atelier conforme vai sendo esculpida. A peça de madeira é de dimensões consideráveis (cerca de 220x70x50 cm). Depois de desenhada a figura sobre a superfície clara e regular, as ferramentas de aço bem temperado cedidas pelo mestre Kodai Hihara são metodicamente manuseadas pelo autor.
A Paola (Afonso) trouxe de casa materiais têxteis. Naperons de algodão finamente bordados são o suporte eleito para as gravuras. As técnicas de gravação têm no Institute of Art and Cultural Studies de Ohtawara um atelier especial com prensas diversas e distintos materiais que estimulam a experimentação. De Portugal, a Paola trouxe também mapas que diligentemente procurou para reverberar outras viagens que aproximaram no passado o país luso do país nipónico. Estes documentos são a matriz que as tintas de óleo e acrílico revelarão no processo criativo sempre surpreendente que a gravura possibilita.
O Filipe (Rodrigues) requisitou telas, tintas e marcadores acrílicos para pintura. A boa qualidade do algodão das telas revela a diferença dos materiais japoneses em comparação com os portugueses. Enquanto preparou as telas para a pintura, multiplicaram-se no atelier que lhe foi atribuído, os desenhos a tinta da China. Sobre o papel, de gramagem fina texturado, a tinta da China traça os objetos do atelier, fotografias de catálogos de viagens, esculturas e o edificado do Institute of Art and Cultural Studies de Ohtawara. De todos os desenhos do Filipe sobressaem as linhas suaves dos rostos orientais e as escadas do edificado.
Os trabalhos artísticos decorrem a bom ritmo, em constante partilha com os restantes membros da second artist in residence Ohtawara 2019, mas sobre isso escreverei na terceira cronica desta viagem.
António Pires e João Ferreira
Kodai Hihara e João Ferreira 
Paola Afonso e Deneir Martins (Brasil)
Kodai Hihara e Filipe Rodrigues

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Crónicas_1 | The second artist in residence Otawara | 2019

Começo este texto com o cerimonioso gesto japonês da vénia. Primeira vénia para a Lika Kato, que com mestria e delicadeza teceu as ligações que nos permitiram chegar a Kodai Hihara. A outra vénia acentuada é para Kodai Hihara, escultor e pedagogo que nos recebe com refinamentos orientais no Institute of Art and Cultural Studies de Otawara.
A adaptação à “nossa” casa\atelier foi fácil. O espaço está repleto de oficinas de criação artística. Pintura, cerâmica, gravura e sobretudo escultura preenchem as diversas salas do edifício que foi outrora uma escola secundária e que aloja atualmente o Institute of Art and Cultural Studies de Otawara. As obras criadas nas distintos ateliês preenchem o interior do edifício junto a novos trabalhos ainda em fase de produção. Todo este processo criativo desde logo nos confronta com uma intensa prática artística pautada pela persistência da execução manual dos trabalhos.
A second artist in residence Otawara de 2019 reúne artistas de Portugal, do Brasil, e do Japão. Depois de restabelecidas as forças, fragilizadas pelas viagens desde Portugal e desde o Brasil, os vários artistas foram instalados nos respetivos ateliês. As ferramentas e os materiais foram previamente preparadas e os trabalhos começaram logo no segundo dia de residência.
 Institute of Art and Cultural Studies de Otawara
Interior do Institute of Art and Cultural Studies de Otawara
Campo de arroz junto ao Institute of Art and Cultural Studies de Otawara
Jardim dos vizinhos do Institute of Art and Cultural Studies de htawara
Templo Xintuísta próximo ao Institute of Art and Cultural Studies de Otawara, (Filipe, João e Tó)

segunda-feira, 22 de julho de 2019

RESIDÊNCIA ARTISTICA DA GALERIA HISTÓRIA E ARTE (BRAGANÇA, PORTUGAL) NO INSTITUTE FOR ART | CULTURAL - STUDIES (OTAWARA, JAPÃO) JULHO | AGOSTO 2019 | Crónicas_0.1 | The second artist in residence Ohtawara | 2019

Estamos a dois dias da viagem e ainda me parece mentira! dessas mentiras que diz que dizia o Fernão Mendes Pinto!! Tal como ele, nós também vamos por “este rio abaixo” até ao Japão!!!
Decorrente da boa relação de intercâmbio com a galeria de AAB de Belleville (Paris) iniciamos agora, pela mão de Lika Kato (artista de AAB), uma relação de intercâmbio com Kodai Hihara de Otawara City | Institute for Art | Cultural – Studies.
Já no ano de 2018 o João Ferreira – Janjã tinha sido convidado por Kodai Hihara para participar no simpósio de escultura, mas, contrariedades de saúde inviabilizaram a nossa (minha e do João) ida ao Japão. Este ano, a residência artística de Otawara contempla mais categorias artísticas e por isso podemos partilhar o convite com o: António Pires (fotografia), Filipe Rodrigues (pintura), Paola Afonso (gravura).
O projeto contempla a estadia de nós os cinco em Otawara desde 26 de Julho até 21 de Agosto de 2019. Em 2020 havemos de receber cá em Bragança (e noutros territórios nacionais) os artistas de Otawara.
Se durante estas datas estiverem por aquela parte do planeta apareçam (indicações no mapa anexo)!
Lá vos esperamos ;)
Emília Nogueiro


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Etnicidade nos discursos visuais | VII Fórum do Mestrado de Educação Social - Educação e intervenção ao longo da vida | ESEB | 30 de Maio 2019

O VII Fórum do Mestrado de Educação Social – Educação e Intervenção ao Longo da Vida (MÊS – EILV) tem como objetivos promover o debate e a reflexão sobre o papel da educação social determinante para o trabalho pedagógico, cujas necessidades se expressam no ambiente escolar e fora dele, contribuindo para a superação das desigualdades sociais e para o combate ao racismo, ao preconceito e à discriminação, e às mais diversas formas de intolerância.

 
Programa
Dia 30 de maio de 2019
10:00 – Sessão de abertura
10:30
João Sedas Nunes – Universidade Nova de Lisboa
Entre o racismo institucional e individual: categorias e formas sociais corriqueiras do fenómeno
Moderadora – Maria do Nascimento Mateus – ESE/Instituto Politécnico de Bragança
11:15 - Coffe break
11:30 – 12.30
Painel 1
Jesús Alberto Valero Matas – FEP – Universidade de Valladolid
Sociedad, etnia y cultura: factores: determinantes en la exclusión desde la perspectiva epistemológica
Maria do Nascimento Mateus – ESE/Instituto Politécnico de Bragança
Labirintos do discurso étnico-racial
Rosa Maria R. Novo/Ana Raquel R. Prada – ESE/Instituto Politécnico de Bragança
Discursos quotidianos: para além da linha...
Moderadora Graça M. M. Teixeira e Santos – ESE/Instituto Politécnico de Bragança
14:30
Painel 2
Maria Emília Pires Nogueiro – ESE/Instituto Politécnico de Bragança
Etnicidade nos discursos visuais
Sofia Marisa Alves Bergano – ESE/Instituto Politécnico de Bragança
Ami amudjer; Ami sá muala; Ami i mindjer; Eu sou mulher
Teresa Fernandes –– ESE/Instituto Politécnico de Bragança
Violência Doméstica: compreender para intervir
Moderadora: Paula Marisa Fortunato Vaz – ESE/Instituto Politécnico de Bragança
15:30h – Encerramento

terça-feira, 30 de abril de 2019

ARTE SACRA NA EDUCAÇÃO E NA CULTURA | Conferência | 30 de abril | 21.00h | Capela da Confraria do Senhor Jesus de Cabeça-Boa, Bragança

«A arte, diaconia da beleza, no coração da missão da Igreja». 
Conferência Terça-feira, 30 de abril, às 21.00h, na Capela/Sede da Confraria do Senhor Jesus de Cabeça-Boa, Bragança. 
Dr.ª Fabíola Mourinho – FB, Momento Musical.

Prof.Doutora Maria Emília Nogueiro - IPB-ESE; Arte sacra na educação e na cultura.
Dr.ª Élia Maria Mofreita Correia – ADBGC; Importância da preservação do património documental.
Dr.ª Joana Catarina D. G. Afonso – DBM-C.C.R; Intervenção de conservação e restauro.
Dr.ª Ana Luísa Pereira – MAB – SEA; A arte, educação estética e artística.



segunda-feira, 29 de abril de 2019

3.ª BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE GAIA 2019

Escultura de João Ferreira-Janjã na 3.ª Bienal Internacional de Arte de Gaia 2019.

(fotografia - cortesia de João Barrote)

Autor: João Ferreira – Janjã

Título: Acorrentados
Técnica: Escultura
Materiais: madeira de Castanho, Olmo e metais reciclados
Dimensões: 98x48x120 cm
Ano: 2015\16




https://www.youtube.com/watch?v=IhvtLH1AxAk


quinta-feira, 28 de março de 2019

Ofícios, Cantos e Contos: A Mulher e a Cultura Popular

...Ernesto de Sousa refere a preferência pela designação de arte “ingénua” em vez de “popular”. 
Sousa, Ernesto, Para o estudo da escultura portuguesa, Lisboa, Livros Horizonte, 1973 (2ª edição), p. 11.
Sábado vou a Coimbra procurar mais designações!
Lá vos espero! :)



Colóquio “Ofícios, Cantos e Contos: A Mulher e a Cultura Popular” das XVII Jornadas de Cultura Popular organizado pela GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra)
Sábado 30 Março, 10h00-18h00
Local: Ateneu de Coimbra

Entrada Livre

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

planos para 2019 - projecto HISTÓRIA E ARTE

A primeira mensagem do ano exige-nos redobrada dose de ânimo e entusiasmo, mais ainda quando o anterior período de balanço foi particularmente longo e reflexivo... 
Mas, estamos de volta! :) e com esperança de conseguir manter o nosso projeto mais umas quantas temporadas!
Vamos continuar a apoiar os nossos criativos em novas exposições na galeria História e Arte. Mas também fora da galeria. Assumindo sempre a flexibilidade das nossas cartografias este ano o nosso território estende-se até Extremo Oriente :) 
Mais novidades em breve 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Desejamos a todos um Natal cheio de Paz e Bem,
e Esperança para o Novo Ano!
(imagem do postal: pormenor do retábulo da igreja de São Pedro de Sarracenos, Bragança) 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Património Religioso do Nordeste Trasmontano: A escultura da Ordem de São Francisco como um recurso para o desenvolvimento territorial

Cristo Serafim (Cristo Alado); pormenor;
Oficina do Porto\Braga; segunda metade do século XVIII, igreja de São Francisco, Bragança
Amanhã, Património Religioso do Nordeste Trasmontano: A escultura da Ordem de São Francisco como um recurso para o desenvolvimento territorial, no Primeiro Encontro de Património, Educação e Cultura (EPEC'#1) na ESE de Castelo Branco

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Exposição colectiva de fotografia | galeria HISTÓRIA E ARTE | Georges Dussaud - Plast&Cine 2018 | 19 de Outubro de 2018

Convidamos todos quantos lerem e ouvirem ler esta mensagem a visitar a exposição colectiva de fotografia na galeria HISTÓRIA E ARTE, Rua Abilío Beça, 35, Bragança. 
A partir de hoje podem ver ou rever as fotografias de 
A lista dos autores segue a cronologia das colaborações com a galeria HISTÓRIA E ARTE, a selecção restringe-se às obras em deposito na galeria.
Esta exposição integra-se na homenagem a Georges Dussaud, Plast&Cine 2018.



quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Conferência: «Caminhos», projeto de um roteiro cultural no território raiano do Nordeste Trasmontano | Congreso Internacional de los Paisajes Culturales sagrados | Museo Etnográfico de Castilla y León | Zamora

«Caminhos», projeto de um roteiro cultural no território raiano do Nordeste Trasmontano.
Maria Emília Pires Nogueiro
Introdução
O espaço definido para a implementação do projeto do roteiro cultural é guiado pela escultura a culto e em guarda nas igrejas franciscanas dos concelhos raianos do Nordeste Trasmontano: Bragança; Mogadouro; Vinhais. Este território, periférico face aos centros mais populosos do país, continua a carecer de estudos relativos a grande parte do seu património histórico. Das diversas categorias de património, a escultura constituía o núcleo menos estudado, pese embora ser quantitativamente o conjunto patrimonial mais significativo. Terminada a investigação deste conjunto patrimonial (tese de doutoramento: Nogueiro, M.E.P., 2015, A Escultura da Ordem Franciscana da Diocese de Bragança-Miranda, Tesis Doctoral, Facultadde Geografía e Historia, Universidad de Salamanca, Espanha, disponível no Repositorio Documental de la Universidad de Salamanca - http://hdl.handle.net/10366/127868) verificou-se a possibilidade de o divulgar a partir de um roteiro que se pretende que venha a promover o território, o edificado e a escultura. O objetivo principal da proposta de roteiro que o presente artigo regista é fomentar a intervenção cultural como fator de desenvolvimento local e tem como base a investigação para promover a ação sobre o território raiano do Nordeste Trasmontano.
O desenvolvimento do artigo está dividido nos seguintes pontos:
Objetivos específicos a atingir com a implementação do projeto do roteiro cultural franciscano;
     Metodologias de investigação;
     Enquadramento territorial;
     Enquadramento histórico dos espaços sagrados envolvidos no roteiro:
     Roteiro em Bragança;
     Roteiro em Mogadouro;
       Roteiro em Vinhais;
        Resultados da investigação: a escultura franciscana que fundamenta a originalidade do roteiro;
  Interpretação dos resultados: proposta do roteiro cultural franciscano, destinatários e parceiros..... para ouvir a conferência: I Congreso Internacional de los Paisajes Culturales sagrados: antropología, espacios, prácticas y arquitecturas


segunda-feira, 11 de junho de 2018

V Jornadas de Museologia nas Misericórdias | Bragança | 15 de Junho de 2018 | Auditório Paulo Quintela

É com muito gosto que divulgamos as V Jornadas de Museologia nas Misericórdias que este ano decorrem em Bragança e onde temos o prazer de participar.
As inscrições são livres e abertas a toda a comunidade

domingo, 20 de maio de 2018

João Ferreira - Janjã | Escultura | Belleville, Paris | Portes Ouvertes 2018

 João Ferreira - Janjã | Escultura | Belleville, Paris | Portes Ouvertes 2018
No fervilhante bairro de Belleville a criatividade é a voz de comando. E no mês em que se comemoram os 50 anos do revolucionário Maio de 68 é uma inspiração voltar com uma exposição à cidade luz!
Desta vez é o escultor João Ferreira – Janjã o artista convidado a participar nas Portes Ouvertes. As Portes Ouvertes decorrem 25, 26, 27 e 28 de Maio, 2018, das 14h às 20h. A exposição de João Ferreira – Janjã estará no espaço identificado com o nº 65, Crypte de l’église Notre Dame de la Croix, 4 rue d’Eupatoria, 75019 em conjunto com outros autores de Belleville.
A nossa boa relação com a galeria AAB Ateliers d'Artistes de Belleville já abriu antes o espaço parisino aos nossos artistas em 2016, e na galeria História e Arte recebemos as artistas dos AAB em 2017. Esforçamo-nos para que a rede criada se fortaleça e se propague (bem hajas Paola Afonso pela persistência no compromisso), e agora já pensamos nas próximas ligações.
É com imenso prazer que vos convidamos a visitar a exposição de João Ferreira – Janjã nas Portes Ouvertes dias 25, 26, 27 e 28 de Maio, 2018, das 14h às 20h, em Belleville, Paris!
 Mapa PO 2018
Vemo-nos em Paris! À bientôt 

sexta-feira, 4 de maio de 2018

da representação figurativa religiosa como ato subversivo... Ironias da História!

Antes da nossa época (contemporânea) a arte cumpria funções rituais, religiosas e pedagógicas... é já nos nossos dias que a expressão individual da circunstancia pessoal do autor se assume como tema autónomo. Atualmente as correntes artísticas mais divulgadas pela academia e pelos centros de arte contemporânea privilegiam esta linguagem, de tal modo que por vezes o privilegio parece quase ditatorial! Fomenta-se o trabalho dos “curadores” e “comissários” sob cuja responsabilidade recai a função comunicativa da obra artística. A obra em si já não interessa, mas sim o processo criativo que lhe dá origem. É aí que são colocadas as questões (sobre o espaço e o tempo, a existência, as fronteiras, etc.). Questões essas que são intuídas pelos “curadores” e “comissários” que as revelam nos seus textos ao público. Na moda generalizada dos nossos dias o objeto artístico deve ser insuspeito, pode ser qualquer coisa! Preferencialmente deve confundir o observador que não sabe se está ou não está diante de uma obra de arte. As modas parecem-me sobrevalorizadas. A pressão do meio é forte, e a comunicação plástica feita com técnicas manuais é criticada como anacrónica (em detrimento da fotografia, do ready-made, do vídeo…). Mas a pluralidade assumida atualmente permite-nos escolher caminho. Na nossa galeria não vamos por aí!
Por tudo isto, é com imenso prazer que vos convido a espreitar a obra “Via Sacra” de João Ferreira - Janjã no santuário do Divino Senhor de Cabeça Boa, Bragança. Ainda decorre o processo criativo, mas, parte das 15 estações que formam a Via Sacra já está exposta, ao culto e à fruição do observador!

Emília Nogueiro

Detalhe da XIII estação “Jesus é descido da Cruz”
Ferro forjado e chapa soldada

domingo, 15 de abril de 2018

O TURISMO EM BRAGANÇA vs PORTUGAL 2020

Nos últimos meses tenho sido convocada por distintas instituições para participar em momentos de reflexão sobre o turismo em Bragança. Percebo nestes convites alguma preocupação com a participação dos atores locais. E por isso muito me congratulo, é sem dúvida entusiasmante esta nova sensação de integração na minha terra!
Mas, continuo a ter dificuldades em perceber qual o papel exato dos atores locais. As reflexões solicitadas parecem pedir apenas aprovações e aplausos e a liberdade critica é rapidamente silenciada com justificações.
Ora “lamentavelmente”, o facto de ter nascido numa democracia, a minha educação e formação académica formataram-me no sentido de desenvolver um sentido critico positivo e construtivo em prol do desenvolvimento de todos! Por isso, não posso deixar de expor o meu desagrado com as politicas locais de desenvolvimento do turismo. Desde logo, chama a atenção o facto de simultaneamente diversas instituições estarem a trabalhar o mesmo tema – desenvolvimento do turismo em Bragança. Poderíamos pensar numa consciência coletiva da emergência de um trabalho em rede entre as diversas instituições públicas e privadas locais. Mas não. O aspeto comum entre os diversos projetos de desenvolvimento do turismo local é que são todos apoiados por fundos do PORTUGAL 2020. Aparentemente as linhas de apoio devem ser semelhantes, pois multiplicam-se as plataformas virtuais, os press trips, logotipos, símbolos, marcas e slogans, tudo para promover Bragança! Multiplicam-se também as empresas de consultoria e promoção turística provenientes de Lisboa, Leiria, Porto ou Guimarães que são em realidade quem faz o trabalho. Trabalho este que eu julgaria ser da responsabilidade das próprias instituições locais. Mas não. São as próprias empresas que se deslocam ao território. A este “reino maravilhoso”, “telúrico” e “longínquo” de que faz parte Bragança. Já no terreno e após um “brainstorming” com os locais (connosco) fazem a síntese das necessidades sentidas pelos locais (por nós). Mais tarde, apresentam em “powerpoint” a analise “swot” aos locais (a nós) e promovem “press trips”!
Bravo! Na gíria politica local podemos dizer que “Bragança, smart city, está a alavancar a excelência do território”! Deus nos ajude!
Emília Nogueiro


(pormenor de varanda em ferro forjado, rua dos Combatentes da Grande Guerra)