domingo, 18 de abril de 2021

Via Sacra - Capela do Divino Senhor de Cabeça Boa | Escultura João Ferreira | Passados Complexos, Futuros Diversos | Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Passados Complexos, Futuros Diversos”*, é este o tema de reflexão proposto para a comemoração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. A Ana G. Pereira do Museu do Abade de Baçal convidou o escultor João Ferreira, além do encomendador da obra, a participar num vídeo dedicado à Via Sacra da Capela do Divino Senhor de Cabeça Boa. Para termos tempo para meditar antes de começarem as entrevistas, o vídeo começa com quase 3 minutos dedicados à contemplação do espaço e da música com que o envolvem! desfrutem da experiência!
Vídeo disponível em: https://www.facebook.com/MABacal/videos/299881641525536/

*ainda estou a refletir e penso que os futuros serão também complexos, e nesse sentido pouco diversos dos passados, mas que sei eu de futuros!!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Temperança - gravura da obra "Iconologia" (1613 d.C) de Cesare Ripa

 

Há 25 séculos, 2500 anos, 913 105,497 dias (segundo o google), que Platão organizou em texto escrito as virtudes cardiais: Sabedoria, Coragem, Temperança, Justiça - Platão Républica (Livro IV, 427e), e tanto tempo passado ainda não conseguimos apetrechar-nos delas! 

Entretanto estas virtudes já foram revistas e acrescentadas por outros filósofos e ativistas. De  entre todos, o meu favorito é Jesus Cristo que lhe acrescenta o revolucionário Amor incondicional ao próximo. Em síntese são estes os valores que fomos construindo para conseguirmos viver em Paz e Bem uns com os outros, mas sobretudo connosco. Tentamos operacionalizar estes valores num sem fim de instituições, regimes, religiões, constituições e mesmo assim, parece sempre que nos é mais constante a ignorância, a covardia, a destemperança e a injustiça, pior de tudo o ódio ao próximo.

Neste difícil processo em construção, alivia-me pensar que na base está a natureza frágil, iludida e conflituosa da nossa condição de primatas sapiens. Como se não bastasse agravamos tudo no desequilíbrio das expetativas!

ps. este texto está isento de paternalismo, pelo menos assim tentei, escrevo-o para mim, para não me esquecer desta reflexão que advém da frustração, raiva e tristeza sobre a qual impus a Temperança na esperança que funcione como bálsamo! 

ps2. este texto foi escrito como desabafo depois de saber os resultados das eleições presidenciais (no nosso Portugal:) em que um partido de estrema direita teve o assustador resultado de 11,90% dos votos!!!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Votos de Ano Novo abençoado pelo Menino Jesus do presépio.

Ainda estamos com o coração apertado, como todo o mundo com o que nos caiu em cima, mas ansiosos por retomarmos as nossas atividades no projeto HISTÓRIA E ARTE. De momento ainda não há turistas para as nossas visitas guiadas ao património histórico e as exposições de artes plásticas e intercâmbios artísticos ainda não têm as datas fechadas, mas estamos a acumular vontade e energia para um regresso que esperamos próximo!

Enquanto aguardamos por essa proximidade e como em grego ático ainda não me atrevo a dizer-vos nada de inspirador, repito os votos que um amigo, que participa da santidade e por isso os votos dele são mais poderosos, me enviou:

Votos de Ano Novo abençoado pelo Menino Jesus do presépio!

Ao Amor do Menino Jesus do presépio acrescento duas obras de arte efémera do património gastronómico familiar! Como sempre, não sou eu que as faço, eu apenas divulgo! (bem, nesta instalação em concreto até participo com a salada de ananás que também tem a sua dificuldade, ok! 😉

Título: Bolo das camadas
Datas: Século XX\XXI (a prática ainda se mantém)
Autora: Maria Inês Pires Nogueiro
Materiais: Nozes; Gemas de ovo; Açúcar
Título: Pudim de maçã
Datas: Século XX\XXI (a prática ainda se mantém)
Autora: Maria Vitória Pires Nogueiro
Materiais: Gemas de ovo; Açúcar; Maçã Reineta (para desenjoar;)

sábado, 28 de novembro de 2020

De momento estou na Antiguidade Clássica ;)


Desde outubro que fugi para a Época Clássica e penso que não vou voltar tão cedo! (graças ao Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra) estou a estudar Grego, Platão, Aristóteles, Eurípides, e muito mais. Tenho a perceção que deveria ter começado ali os meus estudos superiores, tal como no Japão tive a perceção que deveria ter feito lá a minha instrução primária!
Coimbra fica mais perto e as aulas são absolutamente extraordinárias! Estou muito entusiasmada. Neste estado de entusiasmo já mais vezes me aconteceu apetecer-me partilhar universalmente o gosto imenso que me preenche, com intenção de produzir nos outros igual prazer. Mas, nem sempre funciona (admito, funciona muito pouquinhas vezes)! Por isso me coibi de pôr altifalantes na minha sala de modo a que todos os meus conterrâneos ouvissem a maravilha das aulas que eu ouço! Sem altifalantes resta-me o estudo! 
Neste processo de estudo, as atividades do projeto História e Arte estão a ser repensadas, mas não estão esquecidas. 
E claro que na contemporaneidade me podem encontrar no Instituto Politécnico de Bragança, na Escola Superior de Educação onde continuo a ter o privilégio de dar aulas!
Emília Pires Nogueiro

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Bye, bye rua Abílio Beça! Mudamo-nos para a avenida cidade de Zamora

Durante 13 anos ocupamos o baixo nº 35 da rua Abílio Beça. Foi com um bocadinho de pena que viemos embora...  
Ainda nos estamos a acomodar no novo espaço, mas, recuperadas as energias persistiremos nas nossas causas!
Até breve!

terça-feira, 7 de abril de 2020

Pausa (em isolamento com uma obra da galeria História e Arte) II

Neste roubado mês de Abril, enquanto esperamos recuperar a Liberdade aproveitamos para aprofundar relações emocionais, espirituais e todas as outras que nos ajudam a superar tristezas, tragédias e desalentos... fazemos votos para que funcione!

Escultura | João Ferreira - Janjã 
Orante
(2005)
Ferro forjado e soldado e madeira de Cerejeira
124 x 45 x 44 cm
(fotografia: cortesia de Rui Teles)

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Pausa (em isolamento com uma obra da galeria História e Arte) I

Como todos (ou quase) também nós estamos em pausa... que se espera que seja breve! Mas, sobretudo, esperamos que seja eficaz para podermos retomar as actividades

Escultura | João Ferreira - Janjã 
Sr. Hipólito com ataque de gota
(2014)
Madeira de Cerejeira, linho e gesso
95 x 55 x 65 cm
(fotografia: cortesia de João Barrote)

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Albuquerque Mendes e alunos | exposição colectiva de pintura | galeria HISTÓRIA E ARTE | 21 Setembro 17.30h | Bragança

Albuquerque Mendes expõe, em conjunto com os seus alunosna galeria História e Arte, os seus mais recentes trabalhos.
Amanhã a partir das 17.30h! Contamos com a presença dos autores e esperamos a vossa visita, até lá!


domingo, 18 de agosto de 2019

Crónicas_6 | The second artist in residence Ohtawara | 2019

Sayounara Ohtawara
Já começamos a ter saudades…
Findo o tempo para a produção dos trabalhos artísticos, decorreu hoje a inauguração da exposição coletiva dos artistas portugueses, brasileiros e japoneses.
Fui uma cerimónia muitíssimo especial. A intensidade emotiva de todos os participantes da residência artística foi individualmente descrita em versos haiku por poetas de Ohtawara. Com o coração nas mãos vamos amanhã embora com o consolo de que de novo nos voltaremos a encontrar em Portugal, no Brasil e quiçá até no Japão…
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Crónicas_5 | The second artist in residence Ohtawara | 2019

Já entramos na última semana da residência artística no Institute of Art and Cultural Studies em Ohtawara, Japão. O ciclone anunciado ainda não chegou. No entanto, desde que estamos em Ohtawara, (26 de julho), já sentimos, se bem que com suavidade, a terra a tremer. Os trabalhos artísticos prosseguem, portanto. Mas, os tremeliques telúricos tiveram as suas réplicas nos ânimos dos artistas da galeria História e Arte. As dinâmicas tectónicas, acrescidas pelas altas temperaturas, a intensa humidade e a limitação temporal para a conclusão dos trabalhos geraram alguma angústia nos artistas portugueses selecionados pela galeria História e Arte. A conjuntura meteorológica, veio assim reforçar a previsível inquietação que o término dos trabalhos artísticos lhes impõe. Também neste âmbito a residência artística em Ohtawara está a ser pródiga. Como observadora das diversas práticas em curso não posso deixar de registar como interferem as circunstancias culturais na disposição dos diversos artistas. Há um certo dramatismo, aplicado com diferentes medidas de intensidade, transversal a todos os artistas de Portugal. Como é evidente também, que existe um permanente bom ânimo nos artistas vindos do Brasil e uma inegável atitude diligente nos artistas japoneses. Os três grupos das três diferentes nacionalidades complementam-se lindamente, e é bom notar como até se equilibram. Penso que também neste equilíbrio está subjacente a mestria da Lika Kato e a sabedoria de Kodai Hihara ao promoverem este encontro.
Também nos comove a resistente prática artística que Kodai Hihara aqui leva a cabo. Ohtawara, tal como Bragança, e tal como todo o interior rural do nosso país, sofre de males idênticos. A desertificação populacional, o envelhecimento da população que resiste, a falta de trabalho apetecível para os jovens, também tudo aqui se conjurou. É bom constatar que as réplicas contra o avassalador movimento de concentração urbana se sentem um pouco por todo o nosso planeta!  
Atelier de modelagem
 Atelier de escultura
 Atelier de escultura
 Atelier de pintura
 Atelier de gravura

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Crónicas_4 | The second artist in residence Ohtawara | 2019

A quarta crónica desta residência é dedicada aos artistas japoneses que nos recebem em Ohtawara. A deferência que me merecem atrasa a escritura deste relato pois temo não ser suficientemente agradecida nas palavras que lhes dedico. A cultura a que nos permitem aceder ultrapassa largamente os lugares comuns que trazía no meu imaginário. Definitivamente, creio, que deveríamos (nós, Homo sapiens) começar a nossa educação aqui, rodeados pela cultura nipónica. Há algo nesta refinada delicadeza e no polimento das relações sociais que me parece propiciador ao bom entendimento entre todos e que mereceria ser reproduzido além-fronteiras.
Kodai Hihara é simultaneamente o mentor do projeto da residência artística e escultor. Eu, como todos os outros “residentes”, declaro o respeito, a admiração, e um imenso agradecimento para Kodai San.
O atelier do Kodai é um intenso espaço de criação, cheio de esculturas em curso, máquinas e ferramentas. Fora deste “santuário” destaca-se a possante escultura de um porco que nos recebe à entrada do Institute of Art and Cultural Studies. De madeira e metais, a alimária perscruta o visitante com uma expressão divertida nos olhos, contrariando a imponente e máscula volumetria do corpo.
A Tamami (Ichimura) modela o barro e mistura-o com a madeira que esculpe. Desde que chegamos já pudemos acompanhar a sua pratica pedagógica aplicada a um diligente aluno que em pouco tempo lavrou o seu autorretrato. Na sua mesa de trabalho acumulam-se utensílios de cerâmica, detalhes de bichos diversos e as obras em curso, uma ave dodô e uma cabeça de chacal. Também moldadas pelas mãos de Tamami convivem no amplo espaço central do Institute diversos animais: um par de focas, ternos e roliços exemplares que placidamente parecem aqui ter encalhado; um quadrúpede e um porco selvagem.
A Mio (Warashina) é pintora, mas também gravadora e com formação em artes do metal. Conhecedora de técnicas distintas de produção de imagens, foi solícita a partilhá-las com os brasileiros e portugueses no atelier de gravura que agora ocupam. Mas, neste momento é na pintura de misteriosas silhuetas que percebemos a dedicação da sua prática artística. As formas biomórficas que pinta formam figuras que parecem contidas em veios de madeira. Diligente, dona de uma doçura comovedora, e como todos os companheiros japoneses, a Mio é disponível e atenta na boa integração dos colegas luso-brasileiros.
Desde que iniciamos a residência que o Tetsuya (Tokuda) já terminou uma escultura. Fomos assistir à inauguração de uma exposição coletiva onde a expõe, (junto a obras de Kodai e Tamami) e, desde então, iniciou novo trabalho escultórico. Em madeira, com detalhes em metal, e em cerâmica, é à figuração feminina que dedica a maioria dos trabalhos. As obras escultóricas de Tetsuya que pudemos contemplar são delicados tratados de anatomia feminina. A preferência pelas linhas suaves de rostos de frágil e pueril compleição definem um feminino feérico, patinado em tons claros.  
O Kizuku (Takahashi) é estudante de escultura na universidade de Fukushima. A mestria com que desbastou o tronco de Ginko Biloba denota a´sua continuada e dedicada prática manual. Traz, da loja da universidade, o seu estojo com as goivas e os formões bem afiados. Mostra no atual trabalho a preferência pela figuração de animais, aspeto recorrente na prática contemporânea dos artistas que circularam pelo Institute of Art and Cultural Studies. Trabalha a madeira de Ginko, e não o Kusonoki, madeira mais suave que normalmente trabalha, mesmo assim, a águia japonesa que esculpe já quase voa.
Kodai Hihara no seu atelier 
Tamami Ichimura a ensinar modelagem
Mio Warashina no seu atelier
Tetsuya Tokuda (fotografia cortesia de Luiz Carvalho)
Kizuku Takahashi

sábado, 3 de agosto de 2019

Crónicas_3 | The second artist in residence Ohtawara | 2019

A terceira crónica da viagem ao Japão é dedicada aos artistas brasileiros com quem partilhamos a residência em Ohtawara. Tal como no registo dos artistas de Portugal também para os artistas do Brasil a metodologia usada privilegia a ordem estabelecida no programa de divulgação da residência no Institute of Art and Cultural Studies de Ohtawara. O imenso país da lusofonia americana é um prenuncio da imensa variedade artística que o grupo de cinco artistas espelha.
Abigail Nunes
Davi Baltar
Deneir Martins
Julio Castro
Luiz Carlos
A Abigail (Nunes) dedica a residência artística à gravura, também poderia dedica-la à pintura ou ao desenho em que academicamente se formou. A dualidade da sua identidade franco\brasileira é percetível em quase cada detalhe das informações que lhe vou pedindo. A influência que traz na gravura deriva do Julio (Castro), o mestre gravador com quem agora partilha atelier, mas o linóleo que usou para a primeira obra veio de Paris. As goivas com que risca são japonesas que além de mais ergonómicas, são também de aço mais fino e, portanto, mais precisas e hábeis para um trabalho melhor executado.
O Davi (Baltar) articula a street art com a pintura sobre tela. As medidas das telas que requisitou (150x150 cm) reproduzem a forma quadrangular que as imagens ’instagram’ impõem. O sentido critico, explicito e implícito na pintura do Davi começa logo aí, na forma da tela. Perante a boa qualidade dos materiais disponibilizados pelo Institute of Art and Cultural Studies de Ohtawara é a deferência do executante aplicado que responde com a diligência do trabalho bem feito. O olhar atento e acutilante sobre o quotidiano brasileiro anuncia uma realidade já denunciada nos desenhos preliminares.
O Deneir (Martins) atualmente expõe no Museu de Belas Artes no Rio de Janeiro. Com forte sentido pedagógico na militância do uso da arte para a educação reutiliza materiais gerados pelo consumismo sôfrego dos nossos dias. Nesta comprometida reciclagem é com lúdica ligeireza que mistura as sementes trazidas do Brasil, como as “lágrimas de Nossa Senhora”, com os grãos de arroz local e os pauzinhos com que todos, a diário, comemos as iguarias japonesas. Os suportes das criações do Deneir são em madeira de Bambú, requisitada localmente, é mais rija e possante que o Bambu do Brasil.
O mestre da impressão é o Julio Castro. Comanda a prensa de gravura no atelier que partilha com a Abigail Nunes e com a Paola Afonso. Com esmerado zelo começou por trabalhar a matriz da gravura em laminado de madeira que trouxe do Brasil. Os trabalhos de impressão sublimam os volumes, quase escultóricos, e denotam a competência técnica no domínio das ferramentas e dos materiais. Experimentado executante, o Julio brinca com as metodologias de trabalho de gravura com a segurança do conhecimento adquirido. De produção japonesa, o papel de arroz e o linóleo, são já parte deste processo.
O Luiz Carlos sabe artes marciais. Nas obras assina o nome com o que parecem caracteres japoneses. Pinta com o gesto, tal como fazem os calígrafos nipónicos e usa pinceis de bambu. O prenuncio asiático é tão forte que quase parece propositado. Ao abrir os cadernos de artistas e o papel dobrado em concertina percebemos como as manchas de tinta da China e em tinta acrílica denunciam o sentido inconformista do Luiz. As réguas e as espátulas trazidas do Brasil espalham em manchas dinâmicas o sentido desenganado e crítico de forte ativismo politico.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Crónicas_2 | The second artist in residence Ohtawara | 2019

O registo dos processos criativos dos diversos artistas segue a ordem estabelecida no programa de divulgação da residência no Institute of Art and Cultural Studies de Ohtawara
O Tó (António Pires) regista o espaço com a câmara fotográfica. O espaço construído e o espaço natural que nos envolve e também os intervenientes e as suas circunstancias. Discreto, de presença quase impercetível, dirige a câmara fotográfica como se dirige um olhar admirado. No país das tecnologias a câmara fotográfica sente-se em casa e a captação de imagens flui naturalmente no gesto do Tó. Começa os percursos fotográficos de manhã cedo para esquivar a luz e o calor sufocante do meio dia e usa as primeiras horas da tarde para registar as imagens de interior dos ateliês e dos artistas.
A madeira de Ginko biloba (Nogueira do Japão) foi o material eleito para a escultura do Janjã (João Ferreira). O estatuto de madeira fóssil, a resistir no nosso planeta desde a época dos dinossauros, imprime solenidade ao agradável aroma que se desprende no atelier conforme vai sendo esculpida. A peça de madeira é de dimensões consideráveis (cerca de 220x70x50 cm). Depois de desenhada a figura sobre a superfície clara e regular, as ferramentas de aço bem temperado cedidas pelo mestre Kodai Hihara são metodicamente manuseadas pelo autor.
A Paola (Afonso) trouxe de casa materiais têxteis. Naperons de algodão finamente bordados são o suporte eleito para as gravuras. As técnicas de gravação têm no Institute of Art and Cultural Studies de Ohtawara um atelier especial com prensas diversas e distintos materiais que estimulam a experimentação. De Portugal, a Paola trouxe também mapas que diligentemente procurou para reverberar outras viagens que aproximaram no passado o país luso do país nipónico. Estes documentos são a matriz que as tintas de óleo e acrílico revelarão no processo criativo sempre surpreendente que a gravura possibilita.
O Filipe (Rodrigues) requisitou telas, tintas e marcadores acrílicos para pintura. A boa qualidade do algodão das telas revela a diferença dos materiais japoneses em comparação com os portugueses. Enquanto preparou as telas para a pintura, multiplicaram-se no atelier que lhe foi atribuído, os desenhos a tinta da China. Sobre o papel, de gramagem fina texturado, a tinta da China traça os objetos do atelier, fotografias de catálogos de viagens, esculturas e o edificado do Institute of Art and Cultural Studies de Ohtawara. De todos os desenhos do Filipe sobressaem as linhas suaves dos rostos orientais e as escadas do edificado.
Os trabalhos artísticos decorrem a bom ritmo, em constante partilha com os restantes membros da second artist in residence Ohtawara 2019, mas sobre isso escreverei na terceira cronica desta viagem.
António Pires e João Ferreira
Kodai Hihara e João Ferreira 
Paola Afonso e Deneir Martins (Brasil)
Kodai Hihara e Filipe Rodrigues