sexta-feira, 25 de abril de 2008

ESCULTURA - JOÃO FERREIRA

«25 DE ABRIL», OU A «ÁRVORE DO BEM E DO MAL»

Escultura em ferro, metais reciclados, madeira de cerejeira e folha de ouro. 140 cm x 53 cm x 58 cm. A escultura interpreta a «Árvore do Bem e do Mal», segundo o autor, João Ferreira.
A obra representa uma árvore muito estilizada, fortemente fincada no solo com poderosas raízes. Enroscada numa das ramas está uma serpente em talha dourada pronta para tentar com a sua voz sibilante uma jovem incauta… Como a arte se presta a distintas interpretações não resisto a fazer a minha leitura desta forma. Para esta análise contribui em grande parte o uso que o autor faz dos materiais com que a criou. O tronco da árvore é constituído por um cano de uma arma de fogo, uma espingarda, que a evolução bélica do armamento tornou obsoleta. Desta espingarda floresce um intrincado conjunto de ramas, cuja disposição me remete forçosamente para a silhueta de um cravo… cá está! A iconografia da liberdade! A serpente não está incluída no modelo clássico iconográfico do 25 de Abril, porém penso que até nem lhe viria mal… Se bem que a iconografia cristã associa a serpente ao dano, ao mal e à destruição, outras culturas há que associam a serpente à regeneração e à comunhão com a Mãe-Terra… como estamos em tempos de globalização é legitimo estabelecer este diálogo inter-cultural, e apropriarmo-nos de simbólicas mais benfazejas à conjuntura actual…

2 comentários:

Pequete disse...

Um trabalho que dá que pensar... Gostei da interpretação.

Anónimo disse...

Obrigado por passar pelo blogue. Fico algo preocupado com o que me revela, pois já não é a primeira pessoa que diz que deixou um comentário e o mesmo não apareceu posteriormente. Eu não tenho nenhum tipo de filtro, nem muito menos um filtro personalizado. Todos os comentários são bem-vindos, exceptuando publicidade em massa ou contendo linguagem desbragada.
Um problema técnico ou talvez falta de algum elemento ao colocar o comentário poderão ser a causa.
Tenho todo o gosto que faça os comentários que ache pertinentes, só tenho pena de não ter o tempo devido para ler e acompanhar todos os blogues que me interessam (o seu inclusivé)...

Quanto à "deliciosa" gravura é um emblema de Andrea Alciato. Foi retirada de uma edição posterior (a original é de 1531) com o título: "Emblemata", Padua, Petro Paulo Tozzi, 1621.
Não coloquei a proveniência pois estava à espera que descobrissem a origem (era difícil é certo) ou das interpretações da mesma. Os galos significam a vigilância e os leões a custódia (à Igreja), daí o título da gravura: "Vigilantia & Custodia". Achei apropriado pois o espaço que esteve em risco com o incêndio precisa de ambas...

Pode consultar a gravura nesta morada: http://www.emblems.arts.gla.ac.uk/alciato/emblem.php?id=A21a015
(tem tradução em inglês e a página original)

Mais edições deste livro, importantíssimo para a História de Arte e Iconologia, podem ser consultadas, na íntegra, nesta morada: http://www.emblems.arts.gla.ac.uk/alciato/

Outras edições do Alciato, ou de outro autores, sobre a mesma temática (em francês) aqui:
http://www.emblems.arts.gla.ac.uk/french/

Recomendo tempo para explorar estas "montanhas" de informação, tão acessíveis.
Não posso igualmente deixar de lamentar o quanto falta às universidades e arquivos/bibliotecas portuguesas no sentido de disponibilizarem os seus acervos online. É certo que falta dinheiro, mas os técnicos e o mecenato não são o mais difícil. A vontade e planeamento são, a meu ver, o que falta em Portugal.
Mas este post já vai longo e não queria maçar.

Cumprimentos e seja sempre bem-vinda a visitar/comentar o blogue.

www.patrimonios.blog.com