terça-feira, 6 de novembro de 2007

RITUAIS E CULTOS


Bem sei que o tema não se propícia à característica descontracção da blogosfera, mas não resisto a deixar este comentário. Cumpri o ritual de visitar o cemitério no passado feriado e foi com pena que constatei que a tradição de decorar com flores frescas as campas térreas está a desaparecer… nos cemitérios urbanos já desapareceu há muito tempo, mas, nos cemitérios rurais era frequente encontrar decorações efémeras de riquíssimo valor simbólico, cálices, cruzes e resplendores delineadas com flores e preenchidos com pétalas, criavam fortes coloridos que poucos dias depois se transformavam em amontoados de flores secas… enfim, alegorias da própria vida… hoje as campas são de mármore e as flores de plástico, poluentes e quase eternas! … É urgente registar estas manifestações enquanto existem, deixo este apelo aos fotógrafos e demais perpetuadores da memória….

8 comentários:

alexandrecastro disse...

olá locas. gostei. gostei muito da profundidade do teu escrito.
sobre a"recolha" de imagens...! sabes que ao longo do tempo tenho vindo a faze-la...mas, essas é que acho que nunca as "mostrarei". Provavelmente de todos os meus "registos", esta é a mais "intimista"!

espaço história & arte disse...

obrigado Alexandre pelas tuas simpaticas palavras! a verdade é q tive muita relutância em publicar este post...bem sabes como a maioria das pessoas reage a qualquer tema levemente relacionado com a morte...mas como é uma realidade incontornavel p todos nós a mim intriga-me, revolta-me e mete-me bastante confusão!!! enfim suponho q tenho ainda algumas questões existenciais por resolver!! He! He! He! de qualquer forma fascinam-me todas as nossa tentativas rituais de ultrapassar esta dita realidade incontornável...e os arranjos florais nas campas dos cemitérios rurais da nossa terra são talvez das manifestações mais bonitas q conheço e q como tantos outros aspectso do nosso patrimonio rural está infelizmente a perder-se...tu q és tão bom recolector de momentos por favor dedica-te tb a estes antes q se percam defenitivamente!

espaço história & arte disse...

definitivamente..e não defenitivamente...desculpa o erro!

isabel victor disse...

"alegorias da própria vida … "

Gostei da ideia e do desafio.

Muito. Muito interessante !

Abraço

Pequete disse...

Concordo contigo, Locas.Uma das (muitas e para melhor) difernças em que imediatamente reparei quando comecei a vir para Bragança foi precisamente a decoração dos cemitérios, em especial nesta época do ano. Lembro-me da primeira vez que passei, numa destas épocas, ao lado do cemitério de Bragança, ia a pé, era fim do dia e fiquei fascinada pelos milhares de luzinhas que tremeluziam e flores coloridas que tornavam tudo tão bonito.

alexandrecastro disse...

ola locas. continuo a achar que a tua ideia é tentadora (aliás e como já o disse, tenho "algumas" recolhas). contudo o mais complicado é como as "expor"! não sei até que ponto o "dono do motivo" queira que as mesmas sejam publicitadas. Ok, penso em voz alta, concordo, tratando o "tema" com "cuidadinho"...!ps.temas de "fé" (por ex. 13 de maio em fátima, há recolhas soberbas, por ex do gageiro...) mas estas...!

alexandrecastro disse...

Voltei para complementar o raciocínio! E porque não?! Se em por ex. em Lisboa já há “roteiros culturais dedicados “ às “obras de arte” existentes nos cemitérios, porque não fazer com as “nossas” manifestações um contraponto…! beijinho

Mafalda Marques Correia disse...

Não penso fazer nenhum trabalho sobre este tema, mas este post chamou-me a atenção por duas razões: primeiro porque foi realmente com uma fotografia que registei a morte recente de um familiar, em cujo funeral não pude participar por não me encontrar no país na altura. A fotografia foi para mim a única forma de guardar uma última lembrança ( http://digitaldaybyday.blogspot.com/2007/11/37.html ),e as flores a presença viva de um corpo ausente (tal como a alegoria da vida de que fala). Em segundo lugar, porque quando regressava a Portugal dessa mesma viagem, pelo Porto, reparei que os dois cemitérios que sobrevoei estavam todos iluminados com luzes de velas; o que me deu a falsa ilusão de que não se perdeu a tradição e o apego aos entes já falecidos, que leva os seus familiares a visitar e cuidar da sua campa.
Parabéns pelo blog!